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terça-feira, 9 de março de 2010

Um amor



Em tempos já fui um estudante, vadio ou estudioso , talentoso ou estúpido bem pouco importa, a verdade é que sempre fui diferente dos demais, sempre consegui ver a virgindade da alma numa prostituta, há flores sem perfume e perfume sem flores. Sempre ví tudo de modo diferente, para alguns uma cidade é apenas uma cidade, para mim as cidades são sítios sombrios onde a poluição faz formas abstractas no céu que já ameaça escurecer, as calçadas, ho as calçadas do inferno são muito melhores, antigamente era o Diabo que corria atrás dos homens hoje são eles que correm pelo Diabo!

Bem mas no fundo há dias que não me acho mais nem menos diferente, sou apenas um homem vulgar, com pensamentos vulgares e vivo uma vida vulgar, não há monumentos dedicados a mim, nem livros que mostrem a minha fotografia e em breve o meu nome será esquecido, mas amei honestamente, é o que me basta para aguardar a morte com um sorriso, sentado numa cadeira de baloiço e ver-me apodrecer sozinho num lar de terceira idade.

Amei e so Deus sabe como eu amei aquela mulher, foi ela que me ensinou os modos de dar prazer , os locais a beijar e onde tocar, onde demorar-me e as coisas a sussurrar . Foi o meu sonho durante muito tempo, fez-me quem era e tela nos braços era a coisa mais natural para mim que o bater do meu coração, e retomava a respiração e começava de novo mergulhado num mar de fortes sentimentos!
Mas um dia teve de acabar, a razão porque doeu tanto era porque a amava, quando esperava a sua ultima palavra, foi como o luar me gelasse, senti a minha mão a estremecer, que som abafado seria aquele ao longe? Mil vozes que rebentavam do abismo, ardentes de raiva e blasfémia! Das montanhas e dos vales da terra, das noites de amor e das noites de agonia, dos leitos do noivado aos túmulos da morte. E as estrelas fugiam chorando, derramando suas lágrimas de fogo.
O amor é um concerto que que só eu percebia, combinava o cantar do rouxinol com o trinitar do corvo e o uivo da fera nocturna!

Rikardo Ramos adaptação!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Algures!


Taberna!
As nuvens correm negras no céu como um bando de corvos errantes.
A Lua desmaia como a luz de uma vela que acabou de acender!
Fumo um cigarro enrolado em mortalhas de cólera, caminho por entre ruas frias e escuras, sinto o vento, que vem de lá dos cemitérios onde jazem homens errantes que me vigiam por entre as sombras, me falam ao ouvido com vozes grossas que gelam o coração do mais corajoso humano!
Vou pensando que a alma não é como a lua, sempre nua e bela com a sua virgindade eterna, sou distraído pelos que passam e riem de escárnio e agonias por entre soluços!
Ho se eles soubessem a força do meu ódio, se eles soubessem como ferve este meu sangue em que o vapor faz meus olhos em lágrimas, ódio preso no meu peito, odor de raiva no meu hálito, onde estão os homens de coragem agora?
Ao fundo a taberna, alegria para os meus olhos espelhos da minha alma.
Serve-me!
Bebo-lhe a pureza desse luar ao fresco desta noite, mil beijos nas faces molhadas de lágrimas de tristeza!
Ho noites da minha terra, luar das minhas noites, mulheres da minha vida, perfumes embriagadores são os que trazeis que me enchem a alma de amor e o corpo de coisa alguma!
Volto-me para os homens que me acompanharam nesta longa jornada;
Senhores
em nome de sodas as nossas reminiscências, de todos os nossos sonhos que
mentiram, de todas as nossas esperanças que desbotaram, uma ultima saúde!
E bebo, bebo ate ao ultimo suspiro de vida, até uma ultima gota estrepassar a minha garganta, os meus joelhos tremerem e cederem ao peso do meu corpo, ate os meus olhos fecharem e ainda ter força parate dizer
Rikardo Ramos!