quinta-feira, 15 de abril de 2010

Se eu fosse...


Se eu fosse uma gaja.
Se eu fosse uma gaja era daquelas mesmo más;
Se eu fosse uma gaja seria bissexual;
Se eu fosse uma gaja teria orgasmos todos os dias;
Se eu fosse uma gaja gostava de ouvir elogios, mas nunca os chegava a retribuir;
Se eu fosse uma gaja coscuvilhava as amigas e apreciava os namorados delas;
Se eu fosse uma gaja teria um sorriso que contagiava o mundo de felicidade;
Se eu fosse uma gaja teria um olhar que colocaria o universo em movimento;
Se eu fosse uma gaja seria segura, prudente e falsa;
Se eu fosse uma gaja nunca pagaria uma bebida, deixava que mas pagassem;
Se eu fosse uma gaja praticava karate;
Se eu fosse uma gaja praticava Surf;
Se eu fosse uma gaja os homens andariam á porrada por mim;
Se eu fosse uma gaja teria 1.75cm, seria morena e um rabo melhor que o da Angelina;
Se eu fosse uma gaja andava devagar, teria medo de ficar só, provava todos os dias a felicidade, quebrava as regras, beijava devagar, NAO amava honestamente, ria descontroladamente e nunca me arrependia de algo que me fizesse sorrir.
As vezes gostava de ser uma gaja para me poder apaixonar por mim próprio!
Yah Right!

Há dias em que acordo assim! Estranho? Completamente…
RikardoRamos

terça-feira, 13 de abril de 2010

Devaneios de uma criança


“Quando criança costumava por sal em cima das lesmas, adorava velas a dissolverem-se diante dos meus olhos, esboçava um sorriso e tudo, a crueldade sempre foi divertida, para mim.
Sabem porque é que os sal tem esse efeito nas lesmas? Porque se dissolve na água que faz parte da pele das lesmas, também resulta com caracóis e sanguessugas e ate na minha pele, na verdade resulta em todos os seres que tem a pele demasiado fina e frágil para se defenderem de si próprias”
Na minha escola no nono ano havia rapazes mais altos que as professoras, vozes grossas, faziam a barba e havia rapazes como eu que eram inteligentes mas a sua inteligência não se notava nas notas, rapazes como eu que rezava todas as noites para que chegasse a puberdade.
Eu era daqueles rapazes que não usava o urinol mesmo que precisa-se apenas urinar, não queria faze-lo junto a um rapaz gigantesco do decimo segundo ano, o que podia fazer algum comentário sobre, bem o facto de ser do nono ano enfezado sobretudo nas partes baixas. Em vez disso, entrava numa casa de banho e fechava a porta para ter privacidade.
Gostava de ler as coisas que estavam escritas na casa de banho, uma delas tinha uma serie de anedotas temáticas, outros escreviam a lista de raparigas que faziam broches, havia uma que tinha umas 30 vezes a frase: o João é maricas.
Eu não conhecia o João, achava que já nem devia ser aluno da escola, mas interrogava-me se o João alguma vez teria entrado na casa de banho e se tivesse fechado como eu o fazia.
Era um refugio, não tinha de me preocupara com o facto de passar junto dos alunos com estilo e ser empurrado e ter de ouvir as suas gargalhadas de merda nem ter de olhar para a sua caras feias cheia de espinhas, conseguia lembrar-me de todas as humilhações que me tinham feito era impossível esquecer.
Só precisava de sair dali para que os meus pés acompanhassem a minha mente, mas ao semicerrar os olhos para o sol poente, ainda conseguia ver a sucessão de imagens no interior, das palperas: o ar frio atingir-me o rabo o leite entornar-se no meu pénis, as gargalhadas deles e a Maria a virar a cara para o lado. Muitas coisas destas me foram feitas até que um dia encontrei o que há muito procurava; toquei-lhe fria, maciça, hipnotizante, toquei ao de leve no gatilho, envolvendo a arma na minha mão, aquele peso ligeiro e suave! Perfeita.
Não sabia que padrões podia o sangue fazer ao salpicar numa parede, arte abstracta é o que lhe chamo, a vida abandonava os pulmões de uma pessoa em primeiro lugar e os olhos em ultimo.
Havia frases feitas para a perda de um ente querido, pela perda de um animal de estimação amado, mas ninguém sabia as palavras certas para reconfortar alguém que matara 10 pessoas. Sim eu matei 10 pessoas, dez rapazes e raparigas que me fizeram a vida negra durante muito tempo e ninguém se importou com isso.
Hoje escrevo a minha carta de despedida
Mãe estou a ouvir a musica que me deixaste, Haja o que houver - Madredeus
Quando lerem esta merda já estarei morto.
Não podemos desfazer o que já aconteceu, não podemos retirar uma palavra que já ditei em voz alta. Pensarão em mim e desejarão, ter sido capazes de me convencer a não fazer isto. Tentarão descobrir o que deveriam ter dito, o que deveriam ter feito. Suponho que devia dizer-vos: não se recriminem a culpa não é vossa, mas isso seria mentira. Todos sabemos que não cheguei ate aqui sozinho.
Choraram no meu funeral. Dirão que isto não tinha de ser assim,. Comportarseao , como toda a gente espera que se comportem mas será que sentirão a minha falta?
Ou melhor eu sentirei a vossa?
Será que algum de vos deseja ouvir a resposta a esta pergunta?
Algo existe desde que haja alguém para o recordar.
"19 Minutos" de vida
In Infacias de merda Rikardo Ramos

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Saudade


A saudade de modo algum tem cor, mas pode ter cheiro, a minha saudade tem. Não a posso ver nem tocar ver, mas sei o quanto é grande. Pode ser o sentimento que alimenta um relacionamento amoroso ou apenas o que sobra dele. Pode ser uma ausência suave ou uma espécie de solidão. Pode ser uma recordação daquele momento e daquela pessoa, que um dia, mesmo sabendo ser impossível, ousei querer reviver e rever e voltar a rever. É a dor de quem encontrou e nunca mais encontrará, de quem sentiu e nunca mais voltará a sentir. A saudade combina-se com outros sentimentos e procria-se. A soma da saudade com a solidão é igual á Dor. O resultado da saudade com a Esperança é a Motivação.
Saudade é um registo fiel do passado. É a prova incontestável de tudo que vivemos e ficou impresso na alma, no coração e na mente. Conhecemos pessoas e vivemos situações que foram boas, e serão eternas ate ao fim dos nossos dias. Nutri-la, é alimentar o espírito e a própria existência.
Esta é a minha definição de saudades mas existem muitas inúmeras definições, resta-nos apenas cultivá-la e alimentá-la com pensamentos, músicas, perfumes, fotografias, lugares, fins de tarde e madrugadas. Saibamos viver plenamente o presente, pois ele será a saudosa lembrança de amanhã.
Saudades vossas!
Spectrum rei memorium
RikardoRamos

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Primeira vez!


Orgias regadas com drogas, sadomasoquismo; nada detém a minha curiosidade, nunca fui tocada por ninguém a não ser por mim própria, o corpo masculino nu sempre me fascinou, quando na Tv mostra algo de nudez o meu pai muda de canal sem pestanejar.
Ainda não pensei como será a minha primeira vez, nem quero pensar muito nisso, só quero viver e se puder guardar para sempre esse lindo momento, para relembrar em todos os momentos tristes da vida! Eu acho que ele podia ser o tal…
Segunda parte!
As suas mãos estavam apoiadas na porta e os músculos dos braços estavam tensos, dava para senti-los, fortes sob as minhas mãos que o acariciavam e percorriam seu corpo, Depois segurou o meu rosto entre as mãos, afastou-se da minha boca e perguntou-me baixinho:
- Tu queres mesmo?
No quarto dele, completamente desarrumado, era evidente que tinha acordado há pouco. Na parede, uns posters de carros e mulheres semi-nuas. Na mesinha-de-cabeceira, uma foto
dele quando criança que eu reparei e toquei com um dedo. Ele deitou
a moldura dizendo que não era para eu olhar.
Deitei-me sobre a cama dele, cheirava a homem, estava nervosa, olhava para os meus braços brancos e imaculados que brilhavam com os raios que passavam pela janela. Ele começou a
Beijar-me no pescoço e foi descendo mais para baixo, até os seios e depois até ao meu Segredo.
- Porque não te depilas?
- Porque não, respondi no mesmo tom de voz.
- Vamos apagar a luz, diz-me ele!
Chegou alguém com um pano na mão. Virou-me de costas e vendou-me
com o lenço, girou-me de volta para ele e exclamou a rir-se:
- És uma deusa amor.
Ouvi o interruptor da luz dar o seu clique e depois não consegui ver mais nada.
Percebi passos e sussurros, depois duas mãos baixaram as minhas calças, tiraram-me o
sutiã. Fiquei de fio-dental, meias altas e botas de salto agulha. Podia
me imaginar vendada e nua, imaginava no meu rosto apenas os lábios que dentro em pouco
iriam saborear alguma coisa deles.
De repente as mãos aumentaram, e agora eram quatro. Era fácil distinguir
porque duas estavam em cima, apalpando os meus seios, e duas em baixo, roçando o meu
sexo. Conseguia sentir o cheiro a álcool e haxixe . Cada vez mais dominada por aquelas mãos, começava-me a excitar, senti, atrás, o contacto de um objecto gelado, um copo. As mãos continuavam me a tocar, mas o copo esmagava a pele com mais força. Assustada, perguntei:
- Que é essa merda?
Uma risada no fundo e depois uma voz desconhecida:
- Sou o teu barman, tesouro. Não te preocupes, eu só estou a trazer uma bebida para
ti. Aproximou o copo da minha boca e engoli devagar um pouco de licor de uísque.
Lambi os lábios e uma outra boca beijou-me com paixão, enquanto as mãos continuavam a me acariciar e o barman me dava bebida. Um quarto homem estava-me a beijar.
- Que rabo bom que tu tens... - dizia uma voz desconhecida. - Macio,
branquinho, dura. Posso dar uma mordidela?
- Só quero saber uma coisa: quantos vocês são?
- Fica tranquila, amor - disse uma voz nas minhas costas. E senti uma língua
lambendo as vértebras da minha espinha. Agora a imagem que eu tinha de mim era mais
sedutora: vendada, seminua, cinco homens que me lambem, acariciavam-me, mordiam-me
excitam-me todo o meu corpo. Eu estava no centro das atenções e eles faziam comigo
tudo o que era permitido na câmara dos desejos. Não se ouvia uma voz, só suspiros e
carícias.
E quando um dedo se enfiou devagar no meu Segredo senti um repentino
calor e compreendi que a razão me estava abandonar. Estava rendida ao toque das
mãos deles e sentia bem viva a curiosidade de saber quem eram, como eram. E se o
prazer fosse fruto das acções de um homem feio e babão? Naquele momento, eu não me
importava.
Na minha boca começaram a passar cinco gostos diferentes , cinco sabores de cinco homens. Cada sabor com sua história. Durante aqueles momentos, tive a sensação e a ilusão de que o prazer não era só carnal, que era beleza, alegria, liberdade. E estando nua no meio deles senti que pertencia a um outro mundo, desconhecido..
Um pénis entrava na minha boca agora ouviam-se lamurias de prazer e um liquido era libertado na a minha boca. E quando um terminava, o outro descarregava em cima de mim o
seu esperma esbranquiçado. E os outros também. Suspiros, lamentos e grunhidos. E lágrimas silenciosas.
Voltei para casa cheia de esperma, com a maquilhagem toda borrada, e minha mãe esperava-me a dormir no sofá.

Entrei na casa de banho, olhei-me no espelho, vi olhos tristes, o lápis preto escorrendo
pelo rosto miserável. Vi uma boca que tinha sido violentada
diversas vezes naquela noite e que tinha perdido o seu frescor. Sentia-me invadida,
emporcalhada por corpos estranhos.
Pequei no Diário e comecei a escrever com a vagina que, ainda agora, quando escrevo no meio da noite, cheira a sexo.

Rikardo Ramos Imaginarium!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Confissões de um pobre diabo


Adoro pessoas velhas, sete ou oito décadas na pele, sussurro-lhe ao ouvido para dizerem mal dos maricas e negros, (acaba por me parecer que os odeiam tanto que parece que lutaram com eles!), e, quando a morte vêem finalmente visita-los gotejam malícia e tossem rancores e arrependimentos. As almas das pessoas velhas são a dois cêntimos no inferno. É verdade. Temos um montão delas.
Agora existem os jovens, é um grande negocio, passam o dia a masturbarem-se e a pensar no namorado da melhor amiga, eles por sua vez colocam o dedo mindinho no rabo quando se vaem para os lençóis da cama da irmã. Mas bom o inferno está cheio destas young people espantosamente belas e talentosas, raramente chamo por elas, elas é que chamam por mim, o Céu por sua vez encontra-se mais o menos num estado perpetuo de carência de talentos, isto dito em voz alta, explorando a chocante inaplicabilidade da frase fatigada e biliosa, da mesma forma que se explora perversamente com a língua a cavidade dorida de um dente, arrancado. Faz sentido? Não? Ok…
Bem agora preciso de pescar novas alma, já tenho alguém em mente, Violeta, faço parte dela como o alcoolismo e a pornografia, tal como a cassete de silencio passada uma e outra vez quando a ideia de suicídio lhe bate a porta! A sua mãe morreu há dois anos, por causa do álcool e deixou-lhe um apartamento. Eu e o álcool acabámos com a mãe de Violeta.
O Álcool engoliu-lhe o fígado, eu e a solidão comemos-lhe o coração. Fígado e coração os meus, órgãos vitais predilectos.
Bem vindos ao Inferno
Há dias em que me aptece dizer isto, que mais poderia eu dizer: make love, not war?
Yah fazia mais centido do que as idiotices que digo!
Um bom resto de dia!!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Ainda bem que há dias assim...


No outro dia, fui acordado com uma dor de dentes íntima, forte e difusa, daquelas que nos fazem bater com a cabeça na parede e amaldiçoar a nossa mãe por nos ter lançado ao mundo.
Como tal fui ao dentista, uma sala de espera sem janelas, bebés aos berros, cinzeiros a transbordar, aroma a urina e ferrugem e aquela sensação de que fiz eu para merecer isto?
Vai um tiro nos miolos?
Não?
Ok.
Quando chegou a minha vez, acreditei instantaneamente que nada na vida vem por acaso, deparei-me com uma super mulher, só lhe faltava voar, uma dentista que fazia o Brad Pitt pedir o divorcio á minha Angelina.
- Bom dia.
Não recebi resposta sequer!
Olha-mos um para o outro e o muro do destino, estremeceu entre nós.
Não foi preciso dizer mais nada, despi-me o mais rápido que pude, subiu a saia e fez-me sinal com o dedo, aproximei-me com o coração a mil á hora, penetrei e fechei os olhos, encostou a boca á minha orelha e disse: Fode-me Adão!
Foram 16 minutos e 42 segundos que ficaram tatuados no meu coração!
Ao acabar beijou-me a testa e deu-me a factura, 435 Euros por aliviar a dor do corpo e da alma!
Sai todo despenteado com um sorriso de orelha a orelha, por detrás do papel da factura dizia o seguinte:
Se não fosse Eva, Adão estaria sentado á beira do lago com a dedo no nariz a coçar a cabeça atordoado com o seu próprio reflexo!
Adorei … beijo!
Eva.
Vale a pena, não lavar os dentes!
Rikardo Ramos

domingo, 4 de abril de 2010

I Lucifer


Os putos da geração SMS possivelmente pensão que foram eles a descobrir tudo que há de bom no mundo, errado completamente, sem sombra de dúvida!
De facto fui eu que inventei tudo, ou quase tudo. Não acham que tem uma certa modéstia? Quase tudo! Nem imaginam as coisas que eu inventei, as jukeboxes é das melhores coisas inventadas por mim, assim fiz com que as pessoas mamassem rock and roll e se esfregassem umas nas outras, passando á frente, o sexo anal obviamente, fumar, astrologia, dinheiro, drogas, ou seja tudo aquilo que serve para vos prejudicar fui eu que inventei. E não se enganem que não é nenhum castigo de Deus, é uma careta que vos faço estas a ver “ó bacano” ? Isto respondendo na gíria dos “Putox dox XmX”
Apesar de vos estar a matar, vocês não conseguem parar, é como a violência, onde quer que exista culpa existe violência e se a culpa é um cheiro, então a violência é um sabor: morangos e formaldeído e sangue ferroso!
Por isso não parem, continuem a optar pelo pecado, a serio o inferno esta abarrotar mas já anda-mos a pensar em construir novas instalações para vocês, sim vocês, não se assustem o Inferno não é tão mau como dizem, pelo contrario é fixe aqui vocês podem masturbarem-se á frente do pessoal, podem ler e ver de tudo e ate podem fumar de tudo também!
Agora perguntam vocês; quem é este “chavalo” ?
Eu?
Eu sou Lúcifer, anjo caído, príncipe das trevas, Portador da luz, governante do inferno, senhor das moscas, pai das mentiras, tentador da humanidade, serpente velha, sedutor, acusador, atormentador, e blasfemo e outras tantos adjectivos que vocês desconhecem o significado, seus Diabos!
Today Sunny day in the hell…
Yes you can

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Vai uma bebida?


Era uma mulher inteligente mas incapaz de se exprimir. As palavras traiam-na, belas borboletas que se formavam na sua mente, traças mortas quando abria a boca e as soltava no mundo, o seu corpo cheirava a Whisky desde a ultima semana, as suas unhas precisavam de ser cortadas, o cabelos penteados, a sua cara precisava de ser lavada, as fotos dele precisavam de ser lançadas fora.
Precisava de acordar com um sorriso, colocar o Iggy Pop na aparelhagem, vestir as suas melhores roupas, pintar os lábios, sair de casa apanhar ar, passar pelo jardim e aguentar os olhares directos dos homens, chegar ao bar pedir um martini, cruzar a perna, esperar e rezar para que o próximo tivesse o mínimo de personalidade possível.
Um dia vocês vão sorrir, cruzar a perna, fazer gestos com as mãos, esperar para falar na vossa vez, beber um sorvo de bebida e alguém algures num canto ficará a olhar fascinado, chegará perto de voces com o coraçao na red line e...
- Olá posso pagar-te uma bebida?


RikardoRamos

terça-feira, 30 de março de 2010

O padre Emilio


O padre estava sozinho, quando entra Carlos ou Carlinhos como o padre lhe chamava.
Ok, podem começar a preencher as lacunas.
- Carlinhos, meu caro amigo, tens rezado muito ao Senhor?
-Sim padre, todas as noites!
-Óptimo, meu filho.
Nenhuma palavra precisou de ser dita depois daquilo.
O fornicador padre Emílio, com as suas mãos abrangentes e testa suada, nem precisa sequer de um empurrãozinho para a lama da vida.
Segurava então assim as costas de Carlinhos, que segurava os seus próprios tornozelos.
Carlinhos escreveu mais tarde na sua carta de suicídio o seguinte: Nada acontece quando entro numa igreja. As flores não murcham, as estatuas não choram, as coxias não rangem nem se desfasem.
Retomando: Carlinhos, saiu ruborizado de vergonha de olhos encarnados e rabo dorido, cheirando a medo e azedado pela repulsa. O padre continha as duas mãos no seus ombros e esboçava aquele sorriso, vocês sabem aquele sorriso que o denuncia como um filho da puta.
Fez-me sinal, era a minha vez…
-Hey padre vamos a isso?
-È a tua primeira vez Rikardo?
-Sim, é mas já me falaram de tudo!
-Óptimo meu filho!
Levantou a aquela veste, não trazia cuecas nem nada que se pareça, a gaita dele ainda se mantinha erecta. Lá dentro cheirava a orégãos, e a cera.
-Podes começar a chupar meu filho!
Baixei-me olhei, olhei para cima e piscou-me o olho!
- Feche os olhos padre, por favor!
Sorriu.
O sangue começou a jorrar no chão acabado de lavar.
- Padre se o seu deus existe que arda consigo no inferno!
RikardoRamos

sexta-feira, 26 de março de 2010

Porque nao?!


Decide-te pela Vida, decide-te por um emprego, decide-te por uma carreira e por ter uma familia, decide-te por um televisor dos grandes,
maquina de lavar, carros caros, Cds e um abre latas electrico, decide-te por teres saude, colestrol baixo e seguro dentario,
decide-te por uma taxa fixa de pagamentos de hipoteca, decide-te por alojamento temporario, decide-te por teres amigos, decide-te por roupas e malas a condizer,decide quem és nas manhas de domingo, decide-te por veres concursos estupidos na Tv, decide-te por enfardares so porcaria,
decide-te por acavares a vida a apodrecer num lar nojento, uma vergonha para os egoistas que criaste, decide-te por um futuro pela vida.
Porque haveria eu de decidir-me por tal coisa?? decidi, decidir-me por outra razao, a razao? nao ha razao nenhuma, quem precisa de razoes tendo musica e tabaco?!

In Trainspotting

terça-feira, 16 de março de 2010

Agora apetece me gritar isto...


Isto dito assim muito directamente sou Tímido! Isso faz de mim um anti-social? Não, de modo algum, simplesmente não tenho a menor curiosidade ou interesse em conhecer pessoa que contém os requisitos mínimos necessários para os considerar amigos (as), simplesmente porque é que haveremos de nos dar bem com toda a gente e ser amigos de todos quando não se tem nada em comum e não se aprecia a personalidade dos outros?! isso seria hipócrita da minha parte, e é o que muita gente é, sorrisos forçados, abraços falsos, apertos de mão sem olhar nos olhos, beijos sem sentir os lábios, tudo é uma questão de simpatia? Ainda bem, porque alguém que á primeira vista é sipatica eu não a considero simpática, é apenas uma mascara que se usa para ser aceite por uma sociedade cada vez mais exigente!
È pah, eu tenho os meus amigos, saio bebo e conto piadas, gosto de passear, gosto do meu Jack Daniels com duas pedras de gelo, gosto da companhia do meu cigarro , vejo muitos filmes, ouço musica, mas com os meus amigos, aquelas pessoas com que me identifico e que se contam em duas mãos.
O pessoal vai todo para as noitadas, tu vais? Perguntam-me já sabendo a resposta. Não, não vou, bebedeiras? (Como se o álcool fosse um combustível para a vida), nada disso, prefiro ficar em casa, ah em casa a deprimir? Eu nao deprimo por estar em casa, iria deprimir mais por estar no meio daquele monte de cabeças ocas e a ficar sem neurónios devido ao excesso de álcool.
Não tenho medo da solidão, ao menos ela nunca nos pode trair. Passar tardes sozinho em casa? Adoro…
Estranho? Completamente…

by: Chamem-me o que quiserem!

domingo, 14 de março de 2010


Caminho pela estrada que até sei onde me leva, ao desespero!
E entao que foi? Nada (um nada cheio de tudo)
Tenho tao pouco dinheiro na conta que o meu pin passou a ter só dois algarismos!Será que poderei negociar um spread, num banco de esperma??
È tao complicado que tenho uma enorme dor de cabeça e nao tenho ninguem a quem negar sexo.
E ainda por sima nem tenho Face Book.
Eu até que podia ter nascido rico, mas fui logo ter que nascer giro, mas bom ninguem me disse que a vida é comlicada.
À noite, fodasse como estas noites sao longas, asfixiei a insonia com a almofada e nem assim ela morreu.
Sinto-me tao só que digo; odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia.
Depois ao fim do dia recebo uma mensagem de alguem que me diz: Vais arder no inferno, e eu sorrio e digo: vai ser tao bom! Para quem ja perdeu tudo haverá algo para queimar? Confirmo que mal educado qualquer um pode ser. Ordinário já requer prática e talento...
O que me fascina na vida??.. a pluralidade de olhares sobre as coisas..
uma pessoa que para mim, não passa de um cretino, para outros, é um génio e um tipo cheio de coragem.
Sabem que mais;
Quero desaparecer sem deixar nada.
Nem saudade

Fodido? completamente!

MeanWhile
Adaptaçao RikardoRamos

Eu


Gosto dos venenos os mais lentos

As bebidas as mais fortes

Dos cafés mais amargos

E os delírios mais loucos.

Você pode até me empurrar de um penhasco

que eu vou dizer:

E então.

eu adoro voar
Como eu gosto de voar!!!!"

As flores e as rosas!


Um dia, a rosa encontrou a couve-flor e disse:
que petulância chamarem-te de flor!
a tua pele é áspera e a minha lisa e sedosa...
o teu cheiro é desagradável e o meu é sensual e envolvente...
o teu corpo é grosseiro e o meu é delicado e elegante...
eu, sim, sou uma flor!
e a couve-flor respondeu:

"Que adianta ser tão linda se ninguém te come..."

terça-feira, 9 de março de 2010

Um amor



Em tempos já fui um estudante, vadio ou estudioso , talentoso ou estúpido bem pouco importa, a verdade é que sempre fui diferente dos demais, sempre consegui ver a virgindade da alma numa prostituta, há flores sem perfume e perfume sem flores. Sempre ví tudo de modo diferente, para alguns uma cidade é apenas uma cidade, para mim as cidades são sítios sombrios onde a poluição faz formas abstractas no céu que já ameaça escurecer, as calçadas, ho as calçadas do inferno são muito melhores, antigamente era o Diabo que corria atrás dos homens hoje são eles que correm pelo Diabo!

Bem mas no fundo há dias que não me acho mais nem menos diferente, sou apenas um homem vulgar, com pensamentos vulgares e vivo uma vida vulgar, não há monumentos dedicados a mim, nem livros que mostrem a minha fotografia e em breve o meu nome será esquecido, mas amei honestamente, é o que me basta para aguardar a morte com um sorriso, sentado numa cadeira de baloiço e ver-me apodrecer sozinho num lar de terceira idade.

Amei e so Deus sabe como eu amei aquela mulher, foi ela que me ensinou os modos de dar prazer , os locais a beijar e onde tocar, onde demorar-me e as coisas a sussurrar . Foi o meu sonho durante muito tempo, fez-me quem era e tela nos braços era a coisa mais natural para mim que o bater do meu coração, e retomava a respiração e começava de novo mergulhado num mar de fortes sentimentos!
Mas um dia teve de acabar, a razão porque doeu tanto era porque a amava, quando esperava a sua ultima palavra, foi como o luar me gelasse, senti a minha mão a estremecer, que som abafado seria aquele ao longe? Mil vozes que rebentavam do abismo, ardentes de raiva e blasfémia! Das montanhas e dos vales da terra, das noites de amor e das noites de agonia, dos leitos do noivado aos túmulos da morte. E as estrelas fugiam chorando, derramando suas lágrimas de fogo.
O amor é um concerto que que só eu percebia, combinava o cantar do rouxinol com o trinitar do corvo e o uivo da fera nocturna!

Rikardo Ramos adaptação!