
AVISO: Espero que gostem de ler textos longos, caso isso nao se verifique nao leiam o seguinte.
As vezes sou evadido pelas recordações da escola secundaria, bons tempos esses digo eu para com os meus botoes. Era o tempo em que tive a primeira namorada, aquela vadia ( que se julgava ser para toda a vida), era o tempo dos ténis rotos de jogar tanto futebol e chegar a casa e levar no focinho, ir para o quarto ligar aparelhagem com o som ao máximo, e fumar um cigarro as escondidas á janela.
Se aprendi alguma coisa na escola? Pois claro que sim, aprendi que existem pessoas que para a maior parte da população estudante são um espectáculo e para mim não passam de uns imbecis com a mania das grandezas.
Só boas recordações, foi nesse tempo que descobri a escrita, sempre fui bom com as letras em contrapartida com os números era um desastre, matemática? Eu detestava aquela merda. Passava as aulas a desenhar, porém os professores sabiam como envergonhar-me, mandavam-me ao quadro, o que era automaticamente o centro das atenções dos betinhos todos, sempre a competirem para ver quem sacava a melhor nota da turma.
Mas houve um professor que nunca esquecerei, era o professor Jonas, era assim que gostava de ser tratado. Entrava assobiar na sala de aula, reparando nos pares de mamas mais salientes e quando passava por mim, chutava logo: como esta o quilo da cocaína lá fora? Eu que nunca fui muito dessas coisas, até ficava contente por ele falar para mim.
O professor Jonas vinhas de uma colheita fina, lembro-me quando nos intervalos fumava um cigarro connosco e alguém dizia vou ali “dar uma queca” o professor preferia dizer lentamente com espaçamento entre as palavras; “vou ali beijar uns lábios femininos”.
Não eram apenas expressões destas que o tornavam um professor popular. Por exemplo, adorava a palavra “brutal”. Estava a sempre a usá-la, e nas circunstâncias mais improváveis. Ele só não misturava brutal na sopa porque era impossível, a comida da escola era uma merda inclusive a sopa também.
O tipo era tramado. Até quando humilhava os alunos fazia questão de actuar com estilo. Pensam que levantava a mão contra alguém? Negativo. Aproximava-se de um desgraçado qualquer distraído na sala de aula – um dos muitos putos impecáveis que trabalhavam desde os 10 anos e nunca tinham tido dinheiro para uns ténis Nike , avaliava-o cuidadosamente e disparava: “Você é homossexual?”
Devo dizer que há tipos que quando ouvem a palavra “homossexual” reagem como se tivessem pegado por engano numa panela a ferver: dão um pulo para trás e gritam: “Foda-se, não!”
É pior se estás na sala e desconheces o significado de uma palavra, toda a turma esta de olhos em ti, ficas cheio de medo, não sabes o que responder, não queres dizer asneira, depois dizes que sim, resignado, e tornas-te o objecto do sadismo cultural daquele professor.
Depois de gozar o prato humilhando o suposto homossexual, o professor escolhia nova vítima e, de voz sedutora, os olhos brilhantes de satisfação pelo que se passaria a seguir, perguntava: “E você, é heterossexual?”
Claro que este rapaz também não conhecia palavras de 25 tostões. Revendo mentalmente a terrível experiência do colega de turma, desconfiando de nova armadilha, respondia com a maior convicção possível: Não stor!
Depois havia ainda aqueles gajos do décimo segundo ano com 25 anos (os grandões) que adoravam gozar com o pessoal mais novo. O primeiro contacto que tive com um grandão deveu-se a uma mera divergência de carácter antropológico, logo no primeiro dia de escola.
O grandão era corpulento, tinha barba cerrada, voz grossa, mau hálito e vestia-se mal, talvez não tivesse uma boa relação com os pais e com toda a família, talvez nunca tivesse dado uma queca por mais vezes que disse-se que sim. Bem não interessa.
Agarrou-me pela camisola e diz;
- Puto de onde é que tu és caralho?
- Sou de Canavezes - respondi sem desviar o olhar.
- Essa merda é só pastorinhos e ovelhas, tu aqui estas fudido, passa para ca um cigarro antes que te partas as fussas.
E lá tive que dar um cigarro, e ir todo fudido para aula rogando pragas a tudo e todos! Uns anos mais tarde dei por mim no 12ºano, os putos adoravam-me e as pitas ainda mais, aposto que devem ter chorado quando fui embora para a faculdade tirar o curso de preguiça aplicada.
De vez em quando passo por la, pela escola, o porteiro ainda é o mesmo faço-lhe sinal com a mão mas ele não retribui provavelmente já não se lembra de mim, mas eu lembro-me todos os dias daquelas tardes passadas a jogar futebol, das boazonas e das Marias rapaz, algumas já teem filhos e outras ate já se casaram!
Só eu é que continuo aqui…
A escrever! Aborrecido? completamente
Rikardo