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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Vácuo da vida


A meio da noite ele observava-a, nua estendida como se apanhada a meio de uma crucificação, sobriamente ele esforçava-se para não reparar nos pormenores desagradáveis, ombros gordos, unhas sujas, cabelo quebradiço, tatuagens desvanecidas, borbulhas, estupidez, cobiça, arrogância.
O tempo tinha passado por ela á muito tempo, só não o queria admitir, as suas noites de gloria já tinham passado á algum tempo, mas ela continuava a imaginar-se com 25 anos.
Ele tornara-se um empresário de sucesso, mas tinha uma existência vazia, nada lhe faltava no que toca aos bens materiais.
Ela era prostituta e ele sabia-o, mas não falavam a respeito disso, não queriam falar simplesmente porque já tudo tinha sido dito á muito tempo atrás.
Ele sustentava-a e não lhe faltava dinheiro… nem sexo, viviam uma relação amor, ódio porém nunca tiveram força ou coragem suficiente para se divorciarem.
Passavam dias sem se falar, mas tinham vontade de se ver, as vezes o silencio falava por eles.
Eles tinham fome de algo que não havia no super mercado, tinham fome de viver, de se libertar, gritarem ate lhe faltar a voz, mijarem para o rio e tomarem banho nele, correrem descalços com os braços no ar, rir ate não aguentar mais, precisavam de ouvir algo, precisavam de um “amo-te” para a ignição da vida!
Rikardo Ramos