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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Verbo ser


Eu sou
Eu sou uma mulher vadia, um velhote a jogar as cartas, uma criança a tocar guitarra no autocarro, sou uma ponte sem nome, sou um passeio cheio de buracos onde os saltos altos se enfiam, sou um viciado em adrenalina, varias línguas, ovos cozidos com sal , restaurantes caros, sou vinho do porto, templos religiosos, igrejas cheias de velas, estatua ligeira que se move lentamente, jardim escondido, namorado proibido, fruta doce, bebida alcoólica, café amargo, eu sou reles, analógico, beijo devagar, vivo descontroladamente, falo honestamente e nunca me arrependo de algo que me faça sorrir, eu sou.

Rikardo

terça-feira, 27 de abril de 2010

Eu Sou


Hoje as lições empoeiradas da minha infância evadiram-me. Completamente!
Acordava pela manha com o braço esticado com as sandálias penduradas no dedo.
Espreguiçava-me e sentiria os cheiros deliciosos do meu quarto, ópio, lã acabada de lavar, salada de atum do jantar de ontem, whisky e um ligeiro aroma da minha vagina dissimulada e amadurecida nos lençóis da cama.
Fumava Marlboro e sentava-me de uma forma estranha, não de pernas cruzadas, não, mas entrelaçadas, como se qualquer postura mais solta deixasse todo o meu corpo desenredo e caindo em pedaços.
Não andaria de pernas juntas, não me sentiria elogiada pelo assobio alheio, dormiria nua e acordava com olhos cheio de remelas, não esperava que alguém me abrisse a porta, não quereria chocolates no dia dos namorados, nem namorados queria, (só aqueles que tivessem QUALIDADE ) pintaria os lábios e os olhos e mostrava o dedo do meio aos trolhas das obras que me chamassem de boa!
Seria uma predadora de homens, não só pelo sexo, mas pelo dinheiro e mais além, burlava-os seriam invadidos pelo horror a fobia, ódio e puta da fúria chocariam como deuses em plena guerra de mundos, ate que se sentissem exaustos e caíssem sobre os joelhos, desculpando-se a eles próprios dizendo promessas entre soluços e lágrimas salgadas.

Eu? Eu seria um anjo.

Hoje preciso de um filme para fugir á realidade da vida.

Há dia em que acordo e assino os textos com o pseudónimo de:

Eva Ramos