
Hoje as lições empoeiradas da minha infância evadiram-me. Completamente!
Acordava pela manha com o braço esticado com as sandálias penduradas no dedo.
Espreguiçava-me e sentiria os cheiros deliciosos do meu quarto, ópio, lã acabada de lavar, salada de atum do jantar de ontem, whisky e um ligeiro aroma da minha vagina dissimulada e amadurecida nos lençóis da cama.
Fumava Marlboro e sentava-me de uma forma estranha, não de pernas cruzadas, não, mas entrelaçadas, como se qualquer postura mais solta deixasse todo o meu corpo desenredo e caindo em pedaços.
Não andaria de pernas juntas, não me sentiria elogiada pelo assobio alheio, dormiria nua e acordava com olhos cheio de remelas, não esperava que alguém me abrisse a porta, não quereria chocolates no dia dos namorados, nem namorados queria, (só aqueles que tivessem QUALIDADE ) pintaria os lábios e os olhos e mostrava o dedo do meio aos trolhas das obras que me chamassem de boa!
Seria uma predadora de homens, não só pelo sexo, mas pelo dinheiro e mais além, burlava-os seriam invadidos pelo horror a fobia, ódio e puta da fúria chocariam como deuses em plena guerra de mundos, ate que se sentissem exaustos e caíssem sobre os joelhos, desculpando-se a eles próprios dizendo promessas entre soluços e lágrimas salgadas.
Eu? Eu seria um anjo.
Hoje preciso de um filme para fugir á realidade da vida.
Há dia em que acordo e assino os textos com o pseudónimo de:
Eva Ramos
